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Projeto 48h_48min

Atualizado em: 19 abr, 2021

Com 48 horas prévias de imersão e quatro performances de 48 minutos, nos dias 17, 18, 24 e 25 de abril acontecem as transmissões ao vivo da exposição performática 48h_48min: Isadora, o Oráculo e as incertezas. Serão dois blocos de 48 min por dia, às 16h48 e às 20h48, transmitidos pelo Instagram e pelo YouTube, com os nove artistas criando e interagindo com o público através de materiais visuais (vídeos, músicas, textos, fotografias e apresentações), enviados pelas redes sociais. Tudo à mercê da profecia do I-Ching e a aleatoriedade de Isadora, programa de manipulação de imagens e sons que atua de maneira randômica.

Cada um dos artistas convida ainda um participante de fora (não necessariamente um artista) para ocupar o seu lugar em uma das performances, seja pela sede do projeto (Casa Amélia, em São Paulo) ou online. A ideia é abrir possibilidades para realidades e narrativas distintas, afetar e ser afetado na diversidade, alargando assim os horizontes de ação e criação. O público é convidado a criar ou documentar a partir das mesmas influências que os artistas do núcleo, entrando para a galeria da exposição e servindo como inspiração ou mote para as 48 horas de imersão. Os trabalhos pré-gravados são automatizados e embaralhados no programa Isadora, a artista artificial do projeto. Por fim, o conteúdo será documentado e disponibilizado no site do projeto, e as interações entre o público e os artistas (via hashtag #48_48) abrem um horizonte infinito de possibilidades e conexões.

A participação do público pretende flertar com o ‘hackeamento’ da superficialidade virtual, tentando ressignificar a atuação nas redes e sem uma curadoria. “Como criar conexão real no espaço não físico? Como criar presença relevante na distância física? Produzindo arte colaborativa e promovendo interações livres ao redor de um centro gravitacional bastante vasto”, comenta Pablo Casella.

Convocatória

Os integrantes do projeto selecionarão ainda oito artistas ou coletivos de artistas brasileiros (especialmente pessoas emergentes com marcadores sociais não privilegiados, ou que abordem questões identitárias, de gênero e raciais) que sejam de fora de São Paulo para participar. Os interessados poderão se inscrever entre 6 e 12 de abril pelo link. No dia 20, os selecionados serão avisados e vão receber uma verba bruta de mil reais e compor a programação da live de encerramento.

Por que 48 horas?

A partir de dispositivos e limitações, a ideia principal é vivenciar momentos de inspiração em possibilidades do tempo real, do agora. Com o pouco tempo de produção, os trabalhos tendem a seguir uma ‘correnteza do inconsciente’, em que elementos passeiam e são processados de forma bastante intuitiva, dando lugar aos rascunhos e às improvisações. A reflexão se volta ao risco, ao acaso e à autenticidade do momento presente.
“O mundo vive hoje uma tempestade sem precedentes. Crise pandêmica, econômica, ambiental, corrosão dos sistemas democráticos e, principalmente, a síndrome da incerteza. Enquanto somos bombardeados por especulações e teorias diversas. Ao mesmo tempo, estamos todos isolados frente às telas de computadores e smartphones. Essa fotografia do mundo atual define os elementos desse projeto”, explica Pablo.

Como tudo começou

O projeto nasceu em 2019, quando sete artistas ocuparam a Casa da Luz, no centro de São Paulo, por 48 horas para criar uma exposição performática e documental de 48 min, refletindo sobre o entorno e o interno. Cada artista recebia sua ‘profecia’ em forma de uma tiragem do I Ching (O livro das mutações – oráculo milenar da cultura chinesa), como primeira fonte de inspiração.

O Oráculo

O ‘oráculo’ é a tiragem do I Ching e norteia todo o processo. O I Ching, ou ‘o livro das mutações’, é popularmente conhecido como um sistema divinatório de análise das energias presentes e consequente ‘previsão’ do futuro, mas é também utilizado como ferramenta para definir conteúdos de estruturas semióticas como cinema e literatura. No projeto, ele define o terreno comum, o mutável e o imutável, sem definir resultados e consequências. Por se tratar de um livro milenar, sua linguagem é muitas vezes conflitante com os dias atuais. Expressões como ‘o homem superior’ e ‘feudos’ são recorrentes. Por isso, no projeto 48_48, os textos do oráculo recebem releituras e reprocessamentos, sendo desafiado pela contemporaneidade.

Isadora

‘Isadora’ representa a aleatoriedade, o oceano de possibilidades e impossibilidades ao qual estamos sujeitos no ambiente virtual. O software vai randomicamente processar, automatizar e alterar um arquivo de imagens alimentado pelos artistas e público, tornando-se assim o ‘artista artificial’ do projeto, simbolizando a presença impactante dos algoritmos das redes no mundo como o conhecemos hoje.

O projeto conta com o artista visual Ivan Padovani, o artista multimídia Jp Accacio, a artista visual e performer Leticia Kamada, a cantora, produtora musical e performer Ligia Kamada, o músico, compositor e artista visual Pablo Casella, o músico e produtor musical Pipo Pegoraro, o artista visual, professor e pesquisador Rodrigo Gontijo, a bailarina e musicista Tayna Ibanez e o artista visual e pesquisador Victor Leguy.

As lives têm apoio e patrocínio do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura e Economia Criativa de São Paulo por meio do Edital PROAC Expresso Aldir Blanc, com o objetivo de fomentar o acesso à cultura e a economia criativa.
Presença e ausência. Virtualidade, realidade e o espaço físico.

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Malu Lutfi

Malu Lutfi

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